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A Identidade do Eleitor, artigo de Ralph Murphine

11/04/2017

Por trás dos cabelos grisalhos, dos 50 anos de profissão comemorados em 2017 e das infinitas milhas percorridas pelo mundo, sempre atrás de onde haja uma boa campanha eleitoral, esconde-se um sábio com energia de menino, cheio de entusiasmo e com uma visão extraordinária sobre o futuro. Esse é Ralph Murphine, o consultor de vários presidentes e que escolheu a América Latina como seu lar. Tenho uma admiração e gratidão infinitas por ele, tanto pelo profissional, quanto pelo ser humano que é, sempre disposto a compartilhar seus conhecimentos. Para homenagear essa figura ímpar, deixo aqui um de seus recentes artigos, publicado originalmente na excelente Revista Beerderberg. Agradeço ao Xavier Peytibi – que também é citado no artigo de Ralph – pela gentileza de autorizar a sua publicação aqui no MarketingPolitico.com, em português.
No artigo, Ralph se refere ao ebook de Xavier Peytibi, Seis historias que explican el triunfo de Donald Trump, que você pode baixar aqui: www.xavierpeytibi.com.
Boa leitura!

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A IDENTIDADE DO ELEITOR

Ralph Murphine

Em um recente ebook denominado “Seis histórias que explicam o triunfo de Donald Trump”, Xavier Peytibi oferece um olhar brilhante e multidimensional da evolução da vida política nos Estados Unidos. Em um exemplo de dissonância cognitiva, meu entusiasmo pelo seu trabalho se baseia em estar de acordo com o que creio que é um conceito fundamental na vida política e na comunicação política: a multidimensionalidade.

Por essa razão, um dos livros mais importantes sobre o pensamento político, em minha opinião, é uma obra do professor Harry Weinberg, Levels of Knowing and Existence: Studies in General Semantics (1959). Sua desconhecida fama (um oxímoro) se produz pela suposição de que o livro contém uma explicação de algumas das ideias da semântica geral inicialmente teorizada por Alfred Korzybski em seu livro Science and Sanity (1933). Contudo, creio que o trabalho de Weinberg tem um valor independente, não apenas pela sua acessibilidade e capacidade de entendimento, mas também porque (em termos modernos) é mais fácilmente aplicável ao “mundo real”.

Se me permitem, quero apontar uma extensão menor de um dos conceitos weinberguianos: a identidade. A ideia é tecida proeminentemente através do texto de Peytibi. No mundo político, a identidade está em constante conflito com a multidimensionalidade. A pressão para reduzir a complexidade à simplicidade é enorme. Na política e no governo, ainda, pode causar um grande dano.

Na análise original de Korzybskian, um ponto importante sobre a identidade se expressa na frase “O mapa não é o território”. Em termos políticos, a aplicação de uma identidade arbitrária geográfica, demográfica, psicográfica, filosófica ou de outra índole (identidade como mapa) a um eleitor ou a um grupo de eleitores, não significa que a identidade exista como uma realidade políticamente produtiva. A categorização é um exercício útil que ajuda no estudo de objetos heterogêneos. Não é um indicador confiável do pensamento ou atividade humana individual.

Alguém que compreendeu bem este conceito foi o filósofo francês Michel Foucault. Segue aqui um parágrafo do prefácio se seu livro, As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas.

Este livro surgiu pela primeira vez de um texto de Borges. Do riso que sacode, ao lê-lo, tudo é familiar ao pensamento – ao nosso: ao que tem nossa idade e nossa geografia -, transformando todas as superfícies ordenadas e todos os planos que ajustam a abundância de seres, provocando uma grande hesitação e inquietude em nossa prática milenar do Mesmo e do Outro. Este texto cita “uma certa enciclopédia chinesa” onde está escrito que “os animais se dividem em: (a) pertencentes ao imperador, (b) embalsamados, (c) adestrados, (d) leitões, (e) sereias, (f) fabulosos, (g) cães de rua, (h) incluídos nesta classificação, (i) que se agitam como loucos, (j) incontáveis, (k) desenhados com pincel fino de pelo de camelo, (l) etcétera, (m) que acabam de quebrar o vaso, (n) que de longe parecem moscas.” No assombro desta taxonomia, o que se vê de imediato, o que, por meio desta fábula, se nos apresenta como encanto exótico de outro sistema de pensamento, é o limite do nosso, a crua impossibilidade de pensar isso. 

Observe-se que estas categorias, estabelecidas pelo autor da enciclopédia chinesa, em grande parte existem no mundo real. A questão não é sua existência, é sua utilidade. A aplicação arbitraria de uma identidade definida externamente a grupos e seres humanos pode ter um valor físico ou filosófico. Os “jovens” não são “velhos” (demografia). As pessoas “urbanas” não são “rurais” (geografia). Os “conservadores” não são “esquerdistas” (ideologia). Os “democratas” não são “republicanos” (política). E assim, Antoní Gutierrez-Rubi me perdoa, “millennials” não são “baby boomers” (marketing).

A criação (definição) dessas identidades externas é um negócio em crescimento. Que triste que muitos líderes políticos são suficientemente ignorantes para crer que representam o mundo real.

Dizem: “Necessitamos envolver mais mulheres na campanha!” Mas, em termos políticos, as “mulheres” não existem. Assim como os “homens”, as mulheres têm opiniões amplas, profundas, às vezes contraditórias sobre a vida, sobre si mesmas, sobre suas famílias, sobre suas comunidades y – surpresa – sobre a política. Mais especificamente, “os eleitores da Carolina do Norte” não existem politicamente. A confusão entre o mapa de identidade de grupo e a realidade de um voto pessoal é quase universal.

Ah, foi a mudança de votos das mulheres entre 30 e 40 anos de idade, com educação secundária, que vivem em “swing states”, que haviam votado por Romney, mas que disseram nos grupos de discussão que tinham medo dos banheiros transgêneros, que mudou o sentido do voto. Um acúmulo arbitrário de categorias humanas é igualmente inútil.

Ah, Ralph, mas há “tendências”! Sim. E existem uma porção de xamãs no mundo, preparados para interpretar as folhas de chá (ou o vôo das aves até o norte, ou as pesquisas de opinião pública) por uns honorários não tão modestos.

Esta definição artificial, linear, estática (identidade) dos grupos de cidadãos, dos eleitores e das pessoas envolvidas na distribuição do poder entre os seres humanos é um hábito difícil de mudar. O resultado é uma repetição do debate teológico teórico que alguma vez tiveram os Padres da Igreja: quantos anjos podem dançar na cabeça de um alfinete?

Deveríamos cancelar as pesquisas nas ciências sociais e política? Não. O que devemos entender é que as categorias, divisões, agrupamentos e segmentos encontrados ou utilizados para tratar de entender os humanos não são premonitórios. Diferentemente da ciência “pura”, não necessariamente se pode replicar os resultados de uma medida tomada com base nos resultados da pesquisa (ou de uma infinidade de mecanismos de investigação social).

Então, a probabilidade conta? Sim. Porém, não pode depender, com confiança, das prováveis ações políticas (votos) de velhos e arbitrários agrupamentos de eleitores.

Se pode identificar o equivalente político dos “cães de rua” ou dos “animais que pertencem ao imperador” do prefácio de Foucault. Não obstante, cada candidato, cada partido, cada eleição, em cada área geográfica, se reorganiza automaticamente, reagrupa, reclassifica aos membros de cada eleitorado. Impor velhos segmentos a novos eleitores é perder eleições. Tenha em conta também que simplesmente chamar de outro modo aos antigos segmentos também não funciona.

Em um mundo cada dia mais dependente da Internet, onde fazer parte de uma rede social é um hábito que cresce rapidamente, é difícil entender a insistência de categorizações velhas e pouco confiáveis.

Cuidado! O Facebook desenvolveu uma forma de ler e analisar as comunicações por correio eletrônico (sem a identificação do remetente ou do receptor). Os usuários, com obstinada determinação, rapidamente segmentam as mensagens (incluindo os trolls) por conteúdo. “Uma pessoa que envia um email crítico ao Presidente, provavelmente votará contra o Presidente”. Este é um exemplo quase perfeito do poder o pensamento linear e não multidimensional.

Muito mais valioso é o já velho sistema multidimensional de algoritmos do “Big Data”, mas atualizado e melhorado diariamente por um grande número de especialistas mundiais em tecnologia da informação, incluindo o Facebook.

O número de categorias de pensamento político definindo a identidade dos eleitores no presente e o número de categorias de potencial ação política futura por esses eleitores devidamente identificados tem aumentado geométrica e logaritmicamente, pela troca de opiniões na Internet.

O desafio é levar os líderes políticos ao reconhecimento desta mudança como parte integral do século XXI: onde estão e como são os eleitores que necessitam para ganhar y manter o poder político. Infelizmente, Seis histórias para entender o triunfo de Donald Trump mostra ainda a distância a se percorrer nos Estados Unidos.

 

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Profissão, Marqueteiro.

08/02/2017

Tem gente que gosta do termo, tem gente que não, mas o fato é que todos nós, Marqueteiros ou pessoas que trabalham com Comunicação Política e Eleitoral, precisamos encontrar uma formulação inteligente e transparente de exercermos o nosso ofício sem que, a cada crise política, sejamos a “Geni” nacional.
Neste momento em que reformas importantes estão sendo debatidas, precisamos fazer nossa voz ser ouvida e, para isso, acima de tudo é preciso debater entre nós fórmulas que possam cumprir esse papel.
Logo após as eleições de 2016, tivemos a oportunidade de discutir, num encontro realizado na UFRJ, um pouco desse tema, lançando uma lista de tópicos que seriam importantes debater. A ideia surgiu do Marcelo Weiss que, como representante da Alacop e da Politicom deu esse ponta-pé inicial. Em breve vamos trazer esse resumo aqui, inclusive trocando experiencias com outros países.
Outra frente de peso, surgiu do super experiente consultor Paulo de Tarso Santos, que dispensa apresentações. Inclusive, ele propõe para o debate uma pauta interessante:  a Declaração Antecipada de Custos de Campanha. Abaixo, segue o seu texto completo, com o qual concordo em muitos aspectos e ainda estou procurando me inteirar e pensar melhor sobre outros. Mas, o importante é que o Paulo de Tarso nos trouxe um ponto de partida fundamental para avançarmos. Vamos ler, compartilhar, estudar e comentar. Afinal, nos unir!  😉

PROPOSTA PÚBLICA AOS NOSSOS COMPANHEIROS DE PROFISSÃO: MARQUETEIROS E AFINS.
Por Paulo de Tarso Santos
A chaga da democracia ocidental (não se sabe nem onde nem quando foi diferente) sempre foi a hipocrisia, a mentira, em torno do financiamento da política. Essa escuridão, ao contrário do que muitos percebem, nunca se deu por geração espontânea. Trata-se necessidade indispensável do modelo de dominação dos políticos sobre os homens comuns que caminhou com a humanidade até os dias de hoje.
A falta de transparência sobre os custos naturais da política sempre interessou aos poderosos de todos os campos, dentro de instituições públicas ou privadas. A razão não é difícil de compreender: quem domina as técnica de arrecadação, de manutenção do poder  e tem alianças para se manter no poder não tem interesse em democratizar a informação, troca-la com a sociedade, torna-la democrática. O conceito é de Maquiavel,  nosso maior  mestre: a primeira tarefa de quem chega ao poder é se manter eternamente no poder. Em palavras comuns:  não se oferece ao adversário vantagens competitivas que o tornem forte, nem no futebol, nem nos projetos de carreira profissionais, em nenhum campo da vida humana, muito menos na política, esse é o óbvio. Esta cremos, ser uma explicação convincente para as distorções vindas da hipocrisia dos que praticam o patrimonialismo, o fisiologismo, o enriquecimento ilícito através da prática política. E naturalmente, esses mesmos elementos buscam todo o tempo outros culpados para distrair a sociedade. No Brasil contemporâneo, esses culpados temos sido nós, os batizados marqueteiros, que em outros países são como outros profissionais, há os sério e os não sérios.
Pensando como categoria  (abertos a críticas  com a consciência do que somos), propomos neste documento uma proposta do que posa a vir a ser uma solução para que o fenômeno da nossa demonização coletiva, sem sentido, possa finalmente ter um fim. Para que a hipocrisia pelo menos diminua, se torne mais evidente. Nossa democracia vem avançando muito em sua consciência crítica e nesse momento já é possível propor essa ideia para avaliação da sociedade e do Congresso Nacional.
A proposta: DECLARAÇÃO ANTECIPADA DOS CUSTOS DE CAMPANHA. O que isso significa? Cada projeto de poder faz seu planejamento de gastos e declara ANTES DA ELEIÇÃO ao TSE.  E depois ainda, presta de contas pós campanha.
É público que todos os projetos políticos têm planejadores de campanha internos, operadores com todas as condições de estimar os gastos. Isso já é feito informalmente por eles. Os gastos básicos: comunicação, logística, alianças. São esses, os tópicos mais gerais que necessitam ser detalhados por itens como pesquisas, produção de conteúdo, relações com a mídia, investimentos em comitês, automóveis, aviões e assim por diante, indispensáveis para a realização de pleitos sérios neste país continental. Produzir planejamentos eleitorais é tarefa cada dia mais simples. Há grande tradição de modelos técnicos já executados, basta referenciar-se neles, pois se há números duvidosos, não há tarefas não descritas. Realizado o planejamento interno, apresenta-se-ia publicamente à sociedade via internet e ao TSE . Com isso, a opinião pública ganharia condições de tornar-se a verdadeira avalista dos pleitos, pois poder-se-ia comparar gastos, conhecer os investimentos. A mídia e o eleitorado poderia analisar cada planejamento e criticá-lo técnica e politicamente centavo a centavo. Se um partido planejar gastar 100 milhões com um marqueteiro, por exemplo,  e outro partido planejar 6 milhões, esse partido terá que responder sobre o porque de sua decisão, em ambiente de mercado, sem proibicionismo, com meritocracia, apoio ao talento e à melhor técnica. Perante a opinião, o planejamento divulgado seria mais um dado na cesta de decisão de voto do eleitorado, assim como ocorre nos dias de hoje com a divulgação de números de pesquisa. E o que foi pago deveria obrigatoriamente constar da declaração de renda dos profissionais envolvidos, marqueteiros, produtores, profissionais de todas as áreas e fornecedores.
Sintetizando a tese: DIVULGAÇÃO ANTECIPADA DO PLANEJAMENTO DE CAMPANHA, para avaliação da sociedade e a busca da transparência. Os números poderiam ser aditadas em 10%, 20% ou até livremente, para os casos de erro de planos, ou de candidaturas que surpreendam, recebam apoio popular durante o pleito e aumentem sua capacidade de investir oferecendo assim apoio à criação de novas lideranças políticas. Mas os aditamentos teriam que ser divulgados, com veiculação de alcance máximo nos diversos meios digitais, com cobertura definida por lei repara que se iniba a informação fantasma, sub divulgada. Sendo a divulgação na rede, tudo se daria sem custos extras para os candidatos. Todos os que viessem a ser contratados em cada item do planejamento pagariam impostos, obviamente.. E os casos de caixa dois, como parece já vai ocorrendo via requalificação legal e fiscalização da sociedade, receberiam punição severa,  cassação e criminalização dos envolvidos imediatamente. Antes até do final pleito, como já é possível atualmente mas raramente acontece. Como categoria profissional, sempre estivemos disposto  a ser claros. A grande maioria de nós nunca desejou nem teve interesse em trabalhar sem segurança legal. Nossa verdadeira realidade nessa situação, é o calote, pois partidos políticos não podem ser protestados, cobrados na justiça. Não há profissional que não tenha contratos não honrados nestes anos de comunicação política pós a promulgação da Constituição de 1988. O que não aceitamos é sermos vilanizados, ter nossas vidas e de nossas famílias preconceituadas por conta dos erros alheios, do erros de alguns. Nosso direito é o de sermos punidos se infringirmos a lei, como qualquer cidadão. O que não é mais admissível, que chega até a ser ridículo, é que nossa categoria profissional seja julgada de forma coletiva, servindo de pretexto e massa de manobra pelos os piores interesses, para esconder a hipocrisia do financiamento da política que descrevemos no início deste texto.
Este ano teremos nova mini reforma eleitoral e poderemos ter duas atitudes:  omitirmo-nos, novamente abatidos pela pressão social e midiática indevida ou esperar que surja um outro presidente do Parlamento aos moldes de Eduardo Cunha (o que parece não ocorrerá) ou então outro projeto de mini reforma eleitoral que nos leve à situação que vivemos no pleito de 2016, cujas regras determinadas pelas mudanças produzidas em 2015 praticamente inviabilizaram a realização do processo eleitoral, a participação e o caráter de festa democrática que o momento do voto tem em muitos países do mundo, elegendo  18 candidatos que se auto financiaram, numa volta lateral à plutocracia, pagando seus projetos de próprio bolso, o que explica muito dos resultados ocorridos num pleito onde a igualdade de competição e o direito à remuneração digna dos profissionais de comunicação política foram atacados frontalmente.
Convidamos os colegas a estudar propostas de transparência para o nosso trabalho para que não sejamos atropelados pelo trem da campanha presidencial de 2018. Há questões fundamentais a serem discutidas (por exemplo, de onde virão os fundos: públicos, privados ou mistos), mas essa não é tarefa nossa como corporação profissional, pois somos parte interessada no assunto. O debate e a consolidação das regras eleitorais do país é responsabilidade dos políticos. Ao contrário do que muitos pensam, nós profissionais de comunicação política, não somos protagonistas do processo político, somos importantes  coadjuvantes. Nosso foco, na opinião dos que assinam esta proposta, deve ser a requalificação da nossa remuneração, para acabar com as lendas a nosso respeito e tentar esclarecer o papel que realmente cumprimos para viver em paz, sem assassinatos de reputação. A antecipação dos custos é nossa proposta. Nosso marco legal já possui mecanismos nesse sentido, trata-se apenas de promove-los, fortalecê-lo, neste país onde há leis feitas para “pegar” e para não “pegar” . Nossa proposta é que se discuta como fazer estes instrumentos “pegarem”, tornarem-se efetivos, verdadeiros. É importante deixar claro que não estamos propondo nada que tenha como objetivo procrastinar a Reforma Política essencial para o nosso país e que virá ao seu tempo,  comandada como já  afirmamos neste documento, pelos políticos e fiscalizada pela sociedade. O que propomos neste momento é a tarefa indispensável de avançar já com vistas ao pleito de 2018, corrigindo as distorções produzidas pelas modificações introduzidas no sistema eleitoral em 2015.
Aqui convidamos toda a nossa categoria, sem discriminação de nomes nem de currículos, a debater para buscar uma forma quase impossível de influir, via união e defesa dos nossos interesses. Esse é nosso único e exclusivo objetivo e contamos para isso com o apoio dos meios de comunicação e dos brasileiros sérios que acreditam no aprimoramento da nossa democracia.

PS- Nos países onde se pratica a declaração antecipada dos custos de campanha,  a maioria dos partidos não gasta o que se planeja e declara. Gastam menos para obter credibilidade junto à opinião pública.

Prospectiva del Proceso de la Paz en Colombia

26/10/2016

Esta semana el MarketingPolitico.com tiene la especial colaboración de Martha Hernández* sobre el importante tema del Proceso de Paz en Colombia.
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“Se van a presentar grandes dilemas entre verdad y justicia, pero la paz y la verdad deben estar sobre la justicia por el bien de todos”.
José Pepe Mujica.

Es complicado exigir Justicia en el Proceso de Paz con la guerrilla de las Farc cuando Colombia tiene un 95% de impunidad en delitos comunes. ¿Cómo pedir a un acuerdo de paz algo que no existe en el país?. Es sabido que las cárceles no son resocializadoras, es mejor que los que deban pagar alguna pena, ayuden en labores importantes de las que ellos mismos han sido creadores como el proceso de desminado en todo el país. Japón donó 11.5 millones de dólares para el desminado humanitario en Colombia. 

Sin embargo, el Instituto Kroc de la Universidad de Notre Dame en Estados Unidos realizó un estudio detallado difundido por Noticias Uno medio independiente y de investigación en Colombia; el estudio analizó los 196 procesos de paz que se han hecho en el mundo durante los últimos 40 años y confluyó que el proceso de Paz en Colombia con la guerrilla de las Farc es ejemplar e innovador porque: 

En Colombia se evitaron los errores de los procesos de paz en Filipinas, Angola, India y Senegal. Ya que en estos países solamente se trataron temas de seguridad, cese al fuego y hostilidades; y cuando los acuerdos se reducen solo a estos temas hay un 80% de probabilidades que se vuelva a la violencia. 

En el acuerdo de paz con las Farc en Colombia se siguieron las fórmulas de éxito de procesos de paz de: Irlanda, Sudáfrica y Mozambique. En Colombia el acuerdo cuenta con 31 categorías: Perdón, Reparación, Amnistía y Derechos humanos. Reconocer y reparar solo lo tiene el acuerdo de paz de Sierra Leona.

El estudio de la Universidad de Notre Dame explica que en Colombia el acuerdo de paz con las FARC es innovador además porque cuenta con una Comisión internacional mixta de verificación del acuerdo. El informe del Instituto Kroc de la Universidad de Notre Dame, destaca que en Colombia no se incluyeron en los acuerdos con la guerrilla: 1. Reformas Constitucionales, 2. Reforma Militar, 3. Reforma policial, 4. Ni se repartieron poderes con las Farc. Esto son aspectos muy importantes de destacar. 

Lo que más le molesta a Álvaro Uribe, gran opositor del proceso de paz con las FARC, es el primer punto del acuerdo; sobre la reforma de política agraria.  Aprobación mayoritaria a expropiación de grandes fincas improductivas y su entrega a pequeños propietarios. 

Por su parte, el Presidente Juan Manuel Santos ha decidido ir avanzando por decreto para evitar la reactivación del conflicto armado interno en el país y poder avanzar en los ajustes del acuerdo final, para lograr una paz estable y duradera. El decreto contempla 26 puntos de concentración de la Guerrilla para su desmovilización y evitar hostilidades en esta etapa del proceso.

Finalmente Colombia ya avanza en negociaciones con la Guerrilla del Ejército de Liberación Nacional ELN y los países garantes para este nuevo acuerdo hasta ahora son Ecuador, Venezuela y Chile quienes han ofrecido su apoyo directo. 

Por los más de 267 mil muertos, las 10 grandes masacres que marcaron al país, los más de 8 millones de desplazados, porque las víctimas son nuestro ejemplo con su capacidad de perdonar y quienes además votaron por el sí a los acuerdo de paz, porque el Estado también ha reconocido sus culpas y ausencias del mismo en las regiones; por todo esto el proceso de Paz es fundamental para el mundo, recibe y seguirá recibiendo todo el respaldo internacional. 

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*Martha Hernández es Doctoranda en Ciencias Políticas de la Pontificia Universidad Católica de Argentina UCA. Magister es Estudios Políticos de la Pontificia Universidad Javeriana de Bogotá. Comunicadora Social y Periodista. Fue asesora de la Unión Europea en Colombia, 2015. Actualmente es la responsable Académica Internacional de la Cumbre Mundial de Comunicación Política.

¿Son iguales las campañas para candidatos hombres y mujeres?*

20/10/2016

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Escribí este artículo en tierras de África Austral. Es por ello que tengo una historia muy reciente en mi memoria: estaba en carretera, por unas carreteras muy malas, en la provincia de Sofala, Mozambique, charlando con mis compañeros de viaje. Me hablaban de algunos mitos, muy antiguos, tratados como realidades por muchas generaciones de personas. Historias explicadas por sus madres sobre lugares prohibidos y sobre brujería.

Pero una de estas historias, además de más sencilla y menos terrorífica que las otras, fue la que más me llamó la atención. Este mito hablaba de que en la creencia popular algunas partes del pollo estaban prohibidas en la alimentación de las mujeres porque podrían quitarles la vida. Estas partes solo podían ser comidas por los hombres, que eran lo suficientemente fuertes para poder soportarlo. Cuando les pregunté qué partes serían esas, imaginando que serían cosas exóticas, me contestaron que, en cambio, eran las partes más sabrosas y con más alimento de los pollos. Todos nos reímos y pasamos a filosofar sobre el tema.

De hecho, la cuestión de la inclusión o exclusión femenina es algo ancestral, que está tan solidificada en la base de las sociedades que ni siquiera notamos muchos de los sutiles actos diarios que nos rodean y que son muy importantes en las conquistas o pérdidas de espacios. Así, de la misma manera que el impacto de esas diferencias ocurre en todas las esferas de la vida, no podría dejar de ser determinante en los temas políticos. El propio Rousseau, que tuvo su desarrollo intelectual garantizado por el confort y seguridad proporcionado por distintas mujeres en su vida, estaba en contra de la participación femenina en la política. Es en este ámbito que me gustaría profundizar algunas reflexiones.

Trabajo en campañas electorales desde el inicio del proceso de re-democratización de Brasil, a finales de los años 80 y principio de los 90. En aquellos tiempos, muchos de nosotros estábamos aprendiendo a partir de las experiencias, estudiando casos, modelos y autores importados desde los países más avanzados democráticamente, como los Estados Unidos y algunas naciones europeas. Esa área, que no es fácil en su esencia, incluso en nuestros días donde el desarrollo del mercado y la evolución académica se ha adelantado mucho, es particularmente aún poco estudiada y comprendida cuando el tema tiene que ver con las cuestiones de género, tanto sobre las mujeres que están en la política, como sobre aquellas que trabajan con marketing y comunicación política.

Confieso que durante mi proceso de evolución profesional, en principio el tema de género no me llamaba a la atención porque la mayoría de los clientes siempre fueron hombres y porque siempre comprendí que las técnicas eran iguales para candidatos hombres y candidatas mujeres, con contenidos adecuados a cada situación, y por tanto diferentes a cada caso.

Esto siempre me pareció natural y con resultados positivos, hasta incluso me parecía un pensamiento incluyente, de igualdad. Pero, hace algunos años, en una campaña también en un país africano, trabajando con una candidata mujer, algo me hizo despertar: al analizar resultados de las encuestas, tanto en los datos recorridos desde las encuestas cuantitativas, como con las informaciones cualitativas, había un componente complicado: un gran porcentaje de los encuestados, incluso un razonable porcentaje de mujeres que veían a la candidata como una persona preparada y experimentada, al mismo tiempo afirmaban que no le votaban porque “era mujer” y en el caso de las respuestas masculinas, muchos acrecentaron que no le votaban porque había hecho una “Ley contra los hombres”.

En realidad, esta candidata, en sus actividades como parlamentaria, había encabezado una Ley contra la violencia doméstica, algo que fue revolucionario en un país pobre y con muchos problemas sociales. Pero, como la gran mayoría de los que sufren la violencia domestica son mujeres, esto se había convertido en un problema para muchos hombres.

Trabajamos específicamente a esa cuestión aclarando que la ley también beneficiaba a los hombres, que pueden ser víctimas de la violencia doméstica, además de otras acciones de formación social y ciudadana, asociadas, claro, a estrategias generales de comunicación, lo que nos ayudó a disminuir la resistencia a la candidata y posicionarla en muchas mejores condiciones. Pero no lo suficiente para ganar aquella elección.

Como es en las derrotas cuando más se aprende, un punto de reflexión importante a ser destacado de esta experiencia es que la cuestión de género en las campañas para mujeres es un ingrediente determinante, pero ni siempre es posible ver exactamente donde están materializados si no buscamos mirar para este punto de una manera especial.

Pienso que, en nuestras sociedades de Latinoamérica, que son reconocidamente machistas con más o menos intensidad dependiendo de la región, muchas veces estos detalles de prejuicio no están tan claros, porque vivimos una era de transición y evolución social donde el tema de la participación femenina en todas las esferas de la sociedad está en la agenda del día y que no todos, en un proceso de investigación electoral, lo demuestran de manera directa.

Para mí fue necesario estar en un contexto social sin las máscaras de las opiniones mostradas de forma políticamente correcta para ver la dimensión del tema. Es necesario poner atención y leer entre líneas una serie de cuestiones sobre cómo se ve a la mujer en cada contexto social. Nunca debemos olvidar del concepto de Paul Lazarsfeld de que el marketing electoral “es la activación de las tendencias latentes” y que es necesario comprender profundamente los humores del electorado, en cada lugar determinado, para entender las reales posibilidades de acción. Ese es el primer paso.

El segundo es comprender que en cualquier campaña los arquetipos de liderazgo son extremamente importantes para la construcción de la imagen, del discurso, de la manera cómo se posiciona el candidato. Pero en los casos de campañas para candidatas, ello tiene implicaciones, además, representando estereotipos que no son completamente positivos. Si pensamos en un contexto extremo a los ejemplos que he utilizado como la actual campaña de Hillary Clinton en los Estados Unidos, el tema de género es recurrente. Los candidatos masculinos no precisan autoafirmarse como “hombres” todo el tiempo, pero está claro que Hillary necesita identificarse a sí misma como “una mujer competente”. Es casi como si el término “mujer” dejase de ser un sustantivo para convertirse en un  adjetivo negativo.

Es fundamental concluir que, en todas las campañas electorales, las técnicas, las herramientas son las mismas y que sí, que en las campañas para mujeres el contenido es distinto. Pero antes de todo es imprescindible saber que lo que el tema requiere es una mirada más sensible, más particular, con especial atención a todos os detalles que componen el  universo femenino.
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* Este artículo fue publicado originalmente en la Revista BeerDerberg, prestigiosa publicación sobre Marketing y Comunicación Política. Agradezco mucho por la oportunidad y se puede aceder al artículo original en: http://beerderberg.es/son-iguales-las-campanas-para-candidatos-hombres-y-mujeres/

Consultora brasileira entre as 12 mulheres mais influentes da Comunicação Política

05/08/2016

A brasileira Gil Castillo, que foi a primeira mulher a presidir a Associação Latino-americana de Consultores Políticos – ALACOP, recebe prêmio conferido por Academia em Washington. 

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A consultora política brasileira Gil Castillo, ex-presidente e atual Chairwoman da Alacop – Associação Latino-americana de Consultores Políticos, acaba de receber um dos Victory Awards, como uma das 12 mulheres mais influentes da comunicação política.

Os Victory Awards, premiação concedida pela WAPASThe Washington Academy of Political Arts & Sciences, são considerados um dos principais reconhecimentos sobre comunicação política no mundo.
Este ano a Academia incluiu uma categoria para prestigiar a participação feminina tanto na área acadêmica, quando no mercado de marketing e comunicação política, selecionando as 12 mulheres mais atuantes e influentes na América Latina.

Num momento em que toda a sociedade está aberta a discutir a participação feminina em diversas áreas, sinto-me feliz em poder contribuir e fazer parte desse processo.“, afirmou Castillo. “O espaço da consultoria política sempre foi um universo masculino e é fundamental que haja uma valorização das mulheres, inclusive como prova da vivência democrática, que tanto pregamos“, complementou.

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Gil Castillo, que atua na área desde 1992, destacou-se entre as mais de 50 indicadas, pela atuação à frente da Alacop – Associação Latino-americana de Consultores Políticos, pela atuação profissional em processos eleitorais, por projetos de formação a partidos políticos e participação das mulheres na política no Brasil e em países da América Latina e África. Em 2012 já havia sido ganhadora de um Victory Award pelo blog MarketingPolitico.com, onde é co-autora.

É fundamental compreender que a comunicação política, infelizmente tão rodeada de mitos, é uma ferramenta importante na construção dos processos democráticos.

Os Victory Awards serão entregues neste dia 06 de agosto, em cerimônia realizada no Centro de Convenções da Georgetown University, em Washington, Estados Unidos.

La crisis de Brasil vista con ojos brasileños

28/04/2016

No mês passado, durante a reunião anual da Alacop – Asociación Latinoamericana de Consultores Políticos, que aconteceu em Buenos Aires, tive a honra de falar ao jornalista político Alejandro Lomuto sobre a questão brasileira. De lá para cá muita coisa aconteceu, mas a essência de alguns pontos permanece a mesma. Confiram a entrevista completa, em espanhol.
Espero que gostem!

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Por Alejandro J. Lomuto

Gil Castillo es brasileña y especialista en marketing político. A fines de la semana pasada estuvo en Buenos Aires con motivo de la reunión anual de la Asociación Latinoamericana de Consultores Políticos (Alacop), de la que es presidenta. Conversé un rato a solas con ella en un aula de la Universidad de Palermo, donde se realizó el encuentro. Entre otras cosas, opina que la crisis actual es la más grande de la historia de Brasil y que le ha hecho perder al país una “oportunidad muy importante” de consolidarse en una posición de liderazgo en el mundo. La conversación fue la siguiente.

¿Qué errores observa en la comunicación del gobierno de Brasil en relación con la actual crisis?

La comunicación, en cualquier situación, no hace milagros. Tenemos una crisis que es institucional y política. Esta crisis no empezó ahora sino que es algo que viene desarrollándose desde hace mucho tiempo. Y en algunos momentos puntuales, estratégicos, no hubo una acción concreta de parte del gobierno. En 2014, por ejemplo, con la situación de la Copa del Mundo de fútbol, muchas personas ya estaban molestas y hablaban en las redes sociales de insatisfacción. Hubo los movimientos que salieron a las calles en 2013. Todos esos fueron momentos en los que se mostró que la sociedad estaba enferma de alguna manera y que era importante que el gobierno tuviera acciones más concretas. Esto no pasó. Muchas veces la propia Presidente ha demorado mucho tiempo para contestar a la crisis. Lo que pasa es que en el momento actual, en que la crisis no tiene ningún precedente en Brasil, en la historia de nuestro país, es prácticamente imposible que la comunicación sea el antídoto. No alcanza. Hay que tener acciones concretas de legitimidad y de gobierno para poder tener qué comunicar.

¿Hay algún hecho en particular que pueda verse como el gran error estratégico de la presidenta Dilma Rousseff que haya disparado la crisis o más bien se trata de esa tendencia que usted percibe a subestimar los hechos y a demorar respuestas?

Creo que es una secuencia de errores y una tendencia a subestimar los hechos. Si hubiera que buscar un hecho en particular, es que durante el período de campaña electoral [en 2014, para lo que finalmente fue la reelección de Rousseff] había una expectativa de un escenario muy distinta de lo que se concretó muy pronto, después de que la Presidenta asumiera su segundo mandato.

¿En materia económica?

En materia económica y en materia social. De hecho, la base del problema es un tema económico. Después, el problema económico impacta en los programas sociales. Y todo aquello que se había planteado en la campaña electoral, en el sentido de que los programas sociales no tendrían cambios, después resultó que fue necesario empezar un proceso de ajuste.

¿Qué impacto cree que tendrá esta crisis en la opinión pública brasileña? ¿La opinión pública está resentida solamente con el Partido de los Trabajadores (PT, gobernante) y sus aliados o con toda la clase política?

Con toda la clase política. Incluso, en las manifestaciones del domingo 13, Aécio Neves, que fue el candidato que enfrentó a Dilma, y Geraldo Alckmin, que ya fue candidato presidencial y es gobernador del estado San Pablo y virtual candidato en 2018 [ambos del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB), principal opositor], fueron hostilizados por los propios manifestantes. Creo que hay un tema que es la baja credibilidad de la clase política, y creo que es un tema mundial. No hay ninguna encuesta de evaluación de credibilidad de las instituciones que no tenga en el último lugar a la clase política. Respiramos este tema en todos los países. En segundo lugar, en Brasil se va agravando un proceso de insatisfacción y hoy parece que hay dos lados polarizados, uno pro PT y otro de oposición. Y hay una gran masa de personas que están insatisfechas con toda la situación, porque atribuyen la corrupción a todos los políticos. A tal punto que algunas personas de la oposición también están siendo involucradas en procesos de denuncias de corrupción. Creo que es un momento muy particular de la historia.

¿En qué momento, y por qué motivo, la opinión pública brasileña dejó de tolerar la corrupción percibida con respecto a los gobiernos del PT? Porque las denuncias y la percepción de corrupción en relación con el PT no surgieron en los últimos meses sino que son mucho más antiguas [la primera denuncia periodística de lo que después se conoció como Mensalao, por los sobornos mensuales que se pagaban a legisladores, data de 2004, segundo año del primer mandato de Lula].

Esta pregunta es muy interesante. Cuando empezaron las denuncias del Mensalao y la oposición hablaba de corrupción, las encuestas del Instituto Datafolha registraban que a la gente no le interesaba este tema.

¿Porque la economía marchaba bien?

Porque la economía marchaba bien. Datafolha había hecho una encuesta para saber el grado de indignación de las personas en relación con las denuncias y preguntaba si estaban dispuestas a tolerar algún grado de corrupción si esto las beneficiara de alguna manera, y 75 por ciento de las personas respondió que no pasaba nada, que eso no tenía impacto en la vida de ellas. Pero cuando las denuncias de corrupción empezaron a tener un cuerpo mayor y la economía cayó, las personas empezaron a vincular ambas cosas ‒y en esto la oposición consiguió que hicieran ese link, de que no había escuelas u hospitales porque habían robado dinero de Petrobras‒ y empezaron a entender el impacto de la corrupción en el día a día. Y la cuestión es que los brasileños están con un poder de compra mucho más bajo.

Aun cuando por ahora está en suspenso, ¿la presencia de Lula en el gabinete le va a permitir al gobierno recuperar la iniciativa o va a terminar de hundirlo?

Creo que ni quienes están haciendo hoy las encuestas en las calles lo saben. Lo que puedo conjeturar es que Lula tiene un elemento que Dilma no tiene, y es su capacidad de aglutinar a la militancia del PT. Había ya una insatisfacción del PT con la Presidente y Lula viene como una persona que es un símbolo del PT, a tal punto que la popularidad de Lula siempre fue mayor que la del propio PT. Creo que en este sentido, aun cuando no hay encuestas, la militancia es capaz de salir a las calles por Lula pero no por Dilma. Entonces, ese puede ser un papel importante de Lula en el gobierno. Pero para la sociedad en general no sabría decir en este momento si agrega valor o no.

Todo parece indicar que el próximo gobierno será del PSDB…

Yo no sé. Depende de quién sea el candidato. Con todas estas crisis, lo que pasa es que muchos dirigentes históricos, por ejemplo del PSDB, como Alvaro Dias, que es un senador importante, están pasándose a partidos que no tienen ningún tipo de mancha, como el Partido Verde, o a partidos nuevos que están surgiendo.

¿Es un proceso similar, o comparable, al que tuvimos en la Argentina a partir de la crisis de 2001-02?

Exactamente. Es muy parecido. Y diría incluso que, por sus características, es muy parecido también a lo que fue la operación Mani Pulite en Italia, porque hubo un proceso de judicialización muy grande y partidos grandes quedaron pequeños, y en el proceso nacieron otros.

Independientemente de cuál sea su sello partidario, ¿qué características es posible que tenga el próximo gobierno?

Hay ciclos de tendencias. Yo diría que Brasil es hoy una sociedad conservadora y para hacer un contrapunto grande con todos estos años que pasaron, tal vez tengamos un gobierno que esté un poco más a la derecha, por más que no haya partidos asumidamente de derecha en Brasil. Un gobierno que esté un poco más por la libre iniciativa. Que es una tendencia que viene verificándose en América latina en general.

Y dado que no solo el PT sino también su principal aliado, el PMDB, pagarán los costos por el desgaste de la actual administración, ¿qué partidos o grupos políticos encarnarán la principal oposición al próximo gobierno y qué características tendrá esa oposición?

No sabría decirlo con precisión. La idea es una oposición responsable, que se comprometiera con el mantenimiento de algunos derechos adquiridos por la población, tales como algunos programas sociales, pero que también tenga el compromiso de hacer un cambio efectivo en las cuestiones económicas. La sensación que tengo es que la economía es una moneda que los gobiernos ajustan de acuerdo con el humor de la opinión pública y creo que debería ser al revés: la economía debería ser planeada y concretada aun cuando tuviéramos que pasar por una fase de austeridad. Y también está la cuestión de la corrupción: ahora que la gente tiene esta visión de que la corrupción impacta en la vida, creo que los políticos estarán más preocupados por este tema. En todas las encuestas que tenemos con respecto a las elecciones locales de octubre, entre las características deseadas para los próximos gobernantes locales lo que genera mayor rechazo es la corrupción.

¿La corrupción suele variar en la consideración de la opinión pública según los resultados económicos? En la Argentina, por ejemplo, durante los gobiernos de Carlos Menem (1989-99) y Néstor y Cristina Kirchner (2003-15) hubo abundantes denuncias de corrupción, pero para la opinión pública ese fue un tema relevante solamente hacia el final de ambos períodos, cuando la situación económica se había deteriorado. De otro modo: ¿el rechazo de la opinión pública a la corrupción también es una cuestión de ciclos?

Creo que sí. En Brasil estamos viviendo, tal vez un poco más tarde, un proceso similar al de ustedes. Era necesario que la gente sintiera primero el impacto en el bolsillo para que empezara a tener conciencia de que la corrupción es un problema. La corrupción es un problema endémico en nuestras sociedades y es lo que está dificultando el desarrollo de nuestros países. Creo que después de esa asociación, sí, la preocupación por la corrupción se pone por encima de la preocupación por las cuestiones económicas.

Una característica esencial de los populismos es la presencia de un liderazgo personal muy fuerte. Y la historia de varios países de América Latina demuestra que se han sentido cómodos con liderazgos personales fuertes. ¿Hay posibilidad de que después de Lula haya un ciclo sin un liderazgo personal muy fuerte y al mismo tiempo no peligre la gobernabilidad?

Hay quienes afirman que en el pasado la política eran ideas y hoy la política son personas. Tenemos, en esta sociedad mediática, figuras personales centrales muy fuertes. Y esto no pasa solamente en la política, ocurre también en el entretenimiento. Para bien o para mal, la política depende mucho de las figuras personales. En Brasil, particularmente, la gente no tiene la tradición de votar por un partido sino que elige a las personas. De hecho, para los cargos parlamentarios no tenemos voto por listas, de modo que todos los candidatos tienen que estar peleando para conseguir un lugar bajo el sol. Entonces, el personalismo es una cosa muy fuerte en todo el proceso de comunicación electoral. Por lo tanto, no creo que haya riesgo para la gobernabilidad.

¿Cómo cree que influirá la actual crisis en el posicionamiento internacional de Brasil?

Creo que hemos perdido mucha credibilidad. Somos un país muy grande, con enormes riquezas, tecnología y todo, pero en estos momentos, cuando no avanzamos en las propuestas de consolidación democrática, cuando tenemos una crisis de esta magnitud, con tanta corrupción, y nuestra economía, que era la gran promesa, no va bien, perdimos espacio. Incluso, ya no parecen tan importantes los BRICS cuando tenemos a Corea del Sur como una emprendedora tecnológica que está tomando espacio en el escenario mundial. Es muy triste admitir esto como brasileña, pero pienso que Brasil ha perdido una oportunidad muy importante de posicionarse con un gran liderazgo mundial. Parecía que íbamos a levantar vuelo pero ahora, con todas estas cuestiones, se ha detenido esa marcha.

¿Cómo vislumbra el futuro próximo de América latina?

América latina es muy interesante porque vivimos siempre, desde el siglo XIX, olas muy parecidas en nuestros países. Los gobiernos populistas de izquierda están dentro de una tendencia a ser desacreditados y Brasil está en este proceso también. Creo que tendremos una ola más homogénea de una tendencia más aperturista, más promercado. No sé si ocurrirá, pero mi sensación es esta porque la historia es así desde hace mucho. Somos muy próximos y es la ley del contagio: la gente va teniendo olas de opinión que van cambiando con el tiempo.

Para conferir a matéria original: La crisis de Brasil vista con ojos brasileños
Para conferir outras matérias sobre o assunto: Brasil perdió “una oportunidad importante de posicionarse” en el mundo

Como funciona o voto impresso?

20/11/2015

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O voto continuará a ser feito pela urna eletrônica, mas será impresso um recibo que fica em uma urna física lacrada.

Você vota normalmente na urna eletrônica, e uma impressora ao lado mostra em quem você votou. Se os dados não baterem, você avisa ao mesário para que ele tome providências. Se não houver divergência, é só apertar o botão confirmar, para que seu voto não seja visível pelo próximo eleitor, e ir embora.

Você não leva um comprovante e nem tem acesso ao papel impresso (para evitar compra de votos ou o “voto de cabresto”). A lei deixa isso claro: “a urna imprimirá o registro de cada votação, que será depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado… será garantido o total sigilo do voto”.

A impressão de votos serve para auditorias: a Justiça Eleitoral pode comparar os votos da urna eletrônica e da urna física, em caso de suspeita de fraude. Isso elimina qualquer possibilidade de fraude nas eleições.