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A impressão e o fato

06/04/2009

Na semana passada, na reunião do G20, Lula ao lado da Rainha e os elogios de Barak Obama foram a sensação do encontro e nossa imprensa tratou o assunto com destaque, adotando os mais diversos tons: o animado, como a nota do GloboNews, o meio termo da TvUol, ou ainda o racional, como a análise de Carlos Chagas, da JovemPan, comentando se a real intenção dos elogios de Obama foi a de amenizar possíveis ataques verbais de Lula durante o encontro, evitando outro momento “brancos de olhos azuis”.
César Maia, em seu ex-blog – e no papel de oposição que lhe é de direito -, foi ácido, dizendo que Lula foi “domesticado” por Obama, graças à sua vaidade.
Na imprensa internacional, avaliações sobre o atual momento de Lula face à crise mundial apareceram no New York Times, sob o título de “Presidente “Teflon” do Brasil é afetado pela crise econômica” e no El País, da Espanha: “El gran dilema de Lula“.
Notem que cada ator social aqui cumpre o seu papel e o debate tende a ficar por aí mesmo. Mas, do ponto-de-vista da imagem, o que importa realmente? Como será que a maioria do povo interpretou a Fátima Bernardes falando sobre Lula ao lado da Rainha da Inglaterra? E o aperto de mão animado e os comentários de Obama sobre o nosso presidente? Quais foram os sentimentos despertados nas pessoas que ouviram Obama dizer que Lula “é o cara” e que “é o político mais popular da Terra“?
Lembremos que a discussão aqui não é política ou ideológica, mas sim técnica do ponto-de-vista do Marketing e da Comunicação.
Então, vamos lá: mesmo sem uma pesquisa científica, arrisco-me a dizer que, partindo-se do princípio de que as pessoas escolhem ou aprovam seus líderes pela emoção, dá para imaginar o que elas “viram” na TV. Tiremos a moldura dos comentaristas e olhemos as imagens, as frases de Obama sobre Lula e teremos a grandeza do que foi comunicado: o homem simples, que emergiu das massas para comandar, ali entre os poderosos, como representante da grande população oprimida e sem voz do mundo.
Se alguém tentou usar o ego de Lula para acalmá-lo, ou se, como li em alguns comentários de leitores dos jornais online, Obama quis humilhar Lula, acabou por lhe dar um palco enorme, resultando numa mensagem que foi de encontro aos anseios da população. É possível até que a popularidade do Presidente, que sofreu uma queda nas últimas pesquisas, já tenha recebido uma “vitaminada” com com esse episódio. E em comunicação política é isso que importa.
Para os que que se opõem, é preciso aprender a passar as suas mensagens com a mesma simplicidade e eficiência.
Mais uma vez, ponto para o Presidente “Teflon”.

Para saber mais, assista os os vídeos e leia as matérias citadas (links no próprio texto).

E ainda sobre o assunto, pergunto: O que estaria pensando Lula, sentado ao lado da Rainha Elizabeth? Quem responde é Luis Fernando Veríssimo, num ótimo texto publicado nos jornais de ontem (e lembrado pelo jornalista Júlio Hungria, no BlueBus), que você pode ler clicando aqui.

Boa semana!

Nota – No vídeo da TvUol há um erro: quem faz a tradução para Lula não é o Ministro Amorim, mas sim o intérprete da Presidência, Sérgio Ferreira.

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2 Comentários leave one →
  1. 22/04/2009 19:02

    Muito boa sua análise, Gil, aliás seu blog foi uma grande descoberta da minha aventura no twitter 🙂
    Sobre o G-20, arrisquei um repente, aqui http://www.novoaemfolha.com/2009/04/repente-do-ponto-g20.html

  2. Gil Castillo permalink
    22/04/2009 20:59

    Olá Christiana, super-obrigada pelo comentário!
    Também adorei, não apenas o repente G20, mas todo o seu blog.
    Grande abraço

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