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Eleições 2014: Hiperatividade de Dilma em redes sociais revela nova estratégia

06/11/2013

Matéria feita por Rogerio Wassermann, da BBC Brasil, em Londres: 

O governo está apostando em uma nova estratégia de comunicação com ênfase nas redes sociais para reposicionar a imagem da presidente Dilma Rousseff, após a queda de popularidade provocada pelos grandes protestos iniciados em junho.

Dilma Rousseff durante encontro com Jéferson Monteiro, responsável pela sátira Dilma Bolada, no dia 27 de setembro

O encontro de Dilma com o personagem Dilma Bolada, sátira popular nas mídias sociais, marcou no mês passado a retomada da conta da presidente no Twitter, depois de mais de 32 meses sem usar o microblog.

Desde então, Dilma passou de presença ocasional nas redes sociais a usuária contumaz, com uma média de quase 11 mensagens ao dia em sua conta reativada no Twitter, a abertura de um conta no Instagram e uma frequência muito maior de atualizações em uma página no Facebook que leva seu nome, administrada pelo PT.

Como consequência disso, a presidente ganhou mais de 40 mil “amigos” no Facebook, ampliou em mais de 90 mil o número de seguidores no Twitter, que já beira os 2 milhões, e galgou posições no ranking de líderes mais influentes no microblog, calculado pelo site americano Klout.

Protestos e eleições

Na avaliação de especialistas consultados pela BBC Brasil, essa nova estratégia seria uma resposta aos protestos de rua, em sua grande parte mobilizados justamente por meio das redes sociais, e pela antecipação do calendário eleitoral, com as recentes movimentações políticas provocadas pelo fim do prazo para filiação partidária para a disputa das eleições do ano que vem.

Se eles (os manifestantes) estão se organizando pelas mídias sociais, o governo diz: ‘Também precisamos estar presentes lá‘”, observa Carlos Manhaneli, presidente da ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos).

Para ele, a proximidade da campanha para as eleições do ano que vem, nas quais Dilma deve tentar a reeleição, intensifica essa necessidade. “É uma ação que tem obviamente também fins eleitoreiros“, comenta.

O governo foi surpreendido pelos protestos porque era um governo alheio às mídias sociais. Sem informações, também não sabiam responder às pressões“, afirma Paula Bakaj, diretora de relações públicas da consultoria Burson-Marsteller, que recentemente publicou o estudo Twiplomacy 2013, no qual analisa o uso do Twitter pelos líderes globais e seus governos.

Para a publicitária e consultora Gil Castillo, editora do site MarketingPolitico.com, as manifestações “expuseram a falta de sintonia entre os cidadãos e os governos e seus representantes”, que usavam em sua maioria a internet “com estratégias de concepção analógica, ou seja, apenas para distribuir informação“.

De repente, parece que os políticos descobriram que é preciso trabalhar a sua presença digital, através da interação. Todos, inclusive a presidente, estão aprendendo a construir uma imagem através do diálogo, o que é algo complexo e que leva tempo”, diz.

Para ela, a presidente tem muito a ganhar com a nova estratégia. “Pela relevância de seu cargo, há uma grande cobertura e interesse de todos os meios de comunicação, que replicam e analisam essas ações, realimentando a própria rede e aumentando a percepção da mensagem“, comenta.

O professor Victor Aquino, coordenador do MBA em marketing político da USP (Universidade de São Paulo) concorda com a análise da motivação para a ofensiva da presidente na

s mídias sociais, mas se diz mais cético em relação aos resultados.

Temos a tendência a nos fascinar pela adoção de novas tecnologias, mas ainda não existe nenhum estudo conclusivo sobre a influência das redes sociais sobre o voto“, afirma. “Mais que o canal de comunicação, o que importa ainda é o fato. Não adianta tentar usar as redes sociais para mascarar um escândalo de corrupção, por exemplo“, diz.

Aquino observa que a grande maioria da população brasileira ainda não tem contato de maneira consistente e sólida com os conteúdos das mídias sociais e ainda é mais influenciado pelas mídias tradicionais – jornais, rádio e TV -, ainda que estas possam reproduzir e repercutir questões ou afirmações provenientes das redes sociais.

Interação

Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, a adoção da nova estratégia de comunicação por parte do governo, com a criação de um Gabinete Digital, assessoria responsável por articular as várias iniciativas digitais do governo, já vinha sendo formulada desde o ano passado, e as manifestações de junho apenas fortaleceram a convicção de que esse era o caminho a ser seguido.

A volta de Dilma ao Twitter foi acompanhada de outras iniciativas por parte do governo, como a reformulação do Portal Brasil (www.brasil.gov.br), que passou a agregar notícias e serviços antes dispersos em vários sites de diferentes ministérios.

Leia a matéria completa, que inclui uma avaliação do Klout Score dos políticos, diretamente no site da BBC Brasil: “Hiperatividade de Dilma em redes sociais revela nova estratégia”

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One Comment leave one →
  1. 13/12/2013 12:34

    Corretíssimo o professor Victor Aquino em sua análise. Não se pode tentar mascarar escândalos através de redes sociais. Isso não funcionaria, entretanto certamente a presença diária da presidente nas mídias sociais, interagindo com os eleitores, é uma estratégia que prescinde de um estudo que comprove sua eficácia. Obviamente esse relacionamento vai repercutir positivamente na imagem da presidente. Isso não há a menor dúvida. Se antes já se contava como certa a reeleição de Dilma, agora então não resta a menor dúvida. O PT tem demonstrado muita competência política e tem um marketing superior a qualquer outro antes visto nesse país. Fonte: http://www.eleicoes2014.biz

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