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Uma rápida divagação sobre o Programa do PT

05/05/2015

No formato, apesar de muito bem produzido, nada de novo, inclusive com muitas daquelas imagens grandiosas do país já usadas nos programas eleitorais de 2014. O discurso geral também é o mesmo da campanha de Dilma, ou seja: a crise é mundial, abalou os Estados Unidos e Europa, mas o Brasil, através dos avanços dos últimos governos do PT, se preparou para enfrentá-la, por isso tem o potencial para continuar crescendo, com ainda muito por fazer.
A novidade são os pontos específicos, cirúrgicos para esse momento, como a “Terceirização“, apontada como um retrocesso e reforçando o discurso do “nós contra eles”, o “combate à corrupção“, com anúncio de punição aos filiados e a defesa do “fim do financiamento das campanhas por empresas“, afirmando que o partido, desde já, não aceita mais esse tipo de doação e conclama a todos os partidos a fazerem o mesmo, levantando uma bandeira que deve fazer eco em grande parte da população. Por fim, a igualdade de gênero, ponto que tem ganhado espaço cada vez maior na discussão geral da reforma política, visto como tema positivo, fecha a questão das lutas históricas do PT. Esses pontos são temas que já vêm sendo construídos como discurso do partido e orquestrados em todos os meios e que agora se consolidam nos meios de massa. Em linhas gerais, o texto está bem esculpido, didático, com Lula abrindo o programa e deixando claro que é o avalista do PT, o homem que veio para resgatá-lo. Dilma, que num erro estratégico a meu ver, desapareceu da grande mídia no Dia do Trabalho, aparece diminuída na propaganda do seu próprio partido, em rápidos flashes de cenas também da época da campanha.
Do ponto de vista estratégico, o programa cumpre a função de reforçar e munir militantes e principalmente simpatizantes, que já votaram no partido e que agora estão decepcionados, com argumentos e justificativas sobre o que está acontecendo e qual o papel do PT nesse contexto. Expõe de maneira mais simples sua própria versão sobre os temas que aparecem na mídia, muitas vezes de maneira confusa, num mar de denúncias de corrupção, siglas de partidos, nomes de políticos e empresários, nomes de operações, etc. Castells, pesquisador espanhol que estuda a relação da comunicação e do poder, abordou muito bem esse tema sobre a indiferença e descrença quanto aos temas políticos em sociedades com grande quantidade de escândalos, como estamos vivendo nesse momento no Brasil. Em situações assim, o tiro deve ser simples e certeiro.
E, se para cada ação há, ou deveria haver, uma reação, qual seria então o papel da oposição? Para além do panelaço programado para hoje à noite, quando o programa vai ao ar em rede nacional e em horário nobre, caberia encontrar argumentos simples – e principalmente unificados – para questionar a mensagem do PT. Diz a máxima que, quando a mensagem do adversário é boa, não se pode simplesmente atacar, mas é preciso saber desconstruir.

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