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Na contra-mão da História

13/07/2015
Gostaria de manifestar minha opinião sobre um artigo do Senador José Serra, intitulado “Reformar para sobreviver”, publicado no Jornal O Estado de São Paulo, na última quinta-feira, 9 de julho e que trata da Reforma Política:
Com o intuito de se acabar com a febre, quebra-se o termômetro” –  Essa frase, que tem sido muito usada ultimamente, serve aqui para ilustrar diversos pontos da Reforma Política – que na verdade se atém apenas ao campo eleitoral – tramitando pelo nosso Legislativo.
Concordo que são necessárias e urgentes medidas que diminuam gastos e que coíbam a corrupção, mas limitar quantidade e qualidade da informação vai na contra-mão da história, num momento em que o mundo anseia por um debate mais amplo e qualificado, principalmente nas questões políticas e sociais.
Ao contrário do que imagina o Senador Serra, quando afirma que “com talento publicitário, imaginação solta e recursos técnicos, verdadeiros postes se metamorfoseiam em oradores brilhantes, administradores experientes, sujeitos bonzinhos e sempre corajosos”, a comunicação e o marketing político não se resumem a essa simplificação distorcida.
Trata-se sim, de um conjunto de técnicas que servem para apresentar o candidato ao eleitor, o político aos cidadãos, num contexto cada vez mais complexo. Generalizar a questão, desvirtuar o seu sentido e diminuir o trabalho de profissionais que se dedicam a criar esse elo entre cidadãos e representantes é, no mínimo, um ato de inconsequência, algo que não esperaria de um homem preparado e conhecedor dos bastidores das campanhas como é José Serra.
Afirmar que um período menor de campanha, menos tempo para a propaganda eleitoral ou que os programas devem apresentar apenas “o candidato e a câmera” soa tão surreal quanto foi a Lei Falcão nos tempos áureos da nossa ditadura. Além disso, são medidas que, travestidas de “anseios da população’, na verdade só favorecem aqueles que já estão no poder, que já são conhecidos, dificultando imensamente a renovação dos quadros políticos.
Comunicação livre e eleições livres estão intrinsecamente ligadas às sociedades livres. E isso são conquistas que, passados tantos anos desde as “Diretas Já”, deveríamos poder comemorar como pontos sólidos da nossa Democracia.
E, para não dizer que estou apenas advogando em causa própria, sugiro a leitura do artigo do jornalista Fernando Rodrigues: “A Reforma Política retrógrada e reducionista da Câmara – Deputados querem afastar ainda mais o cidadão da política”.
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7 Comentários leave one →
  1. Manolo Salazar permalink
    13/07/2015 21:06

    Parabéns pelo excelente artigo, Gil.
    Realmente, querer reduzir um trabalho tão complexo a algo supérfluo e simples, como tenta José Serra, ou é ignorância ou má fé.

  2. Gil Castillo permalink*
    13/07/2015 21:10

    Obrigada, Manolo! Precisamos acabar com certos mitos. Um forte abraço!

  3. 14/07/2015 13:04

    Assino embaixo de tudo que você escreveu, Gil.

  4. 14/07/2015 19:28

    Sabe Gil, minha família é amiga do Serra. Eu nunca fiz campanha com ele, mas evito ataca-lo, tenho respeito por ele. Mas, nesse caso, para você, eu lembro: o senador Serra tem a mesma opinião desde 1994, onde introduziu regra obrigando o estúdio. Mas foi três vezes candidato a presidente. Quando ele disputou, abriu mão dos melhores meios para vencer? Confiou em seu próprio pensamento?. Acreditou na sua verdade?. Que eu saiba, foi atendido por grandes profissionais meus amigos que atuaram com liberdade e sem veto à realidade, à crítica, às coisas erradas, mostrando sem parar a crítica física.
    Não entendo. Só posso pensar em limitação intelectual do Serra. Só pode ser isso.

  5. 14/07/2015 19:30

    Nesse caso, claro.

  6. Gil Castillo permalink*
    15/07/2015 10:18

    Obrigada, Herminio!

  7. Gil Castillo permalink*
    15/07/2015 10:22

    Sim, Paulo, como disse, considero o Serra uma pessoa preparada, portanto essa posição populista é bizarra. 🙂

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