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Baixando o custos das campanhas

15/07/2015

Dinheiro-11

Reduzir a propaganda eleitoral com a desculpa de baixar o custo das campanhas é o mesmo que proibir por lei a publicidade de produtos para baixar seus preços ao consumidor. Simplesmente não funciona assim.

As maiores democracias da atualidade tem um processo eleitoral inclusivo, principalmente na comunicação, fazendo com que o cidadão tenha acesso às propostas dos candidatos e, acima de tudo, desperte seu interesse pela discussão política.

Propostas como a publicada pelo Senador José Serra, onde cada candidato se apresentaria sozinho, ele e a camera, para o público, só garantirá que ninguém assista esse horror televisivo que seria o horário eleitoral.

Todos nós estamos acostumados a ver a mídia, e em especial a televisão, como entretenimento e é assim que a comunicação funciona. Se fosse diferente, a indústria automobilística publicaria apenas a ficha técnica dos seus carros, consumidor leria tudo e decidiria sabiamente qual a melhor escolha. Mas não é assim. As pessoas necessitam de uma gama de elementos muito mais ampla para tomarem suas decisões. E essas decisões, tanto na política como no vida em geral se baseiam não penas no racional, mas também no sentimento, na esperança, nos elementos subjetivos (e extremamente complexos) que nos levam a cada decisão e escolha.

Ao contrário do que se tem tentado colocar, o que necessitamos é de uma maior liberdade na comunicação eleitoral. Hoje é vetado aos candidatos mostrarem políticos de outros partidos que não sejam da sua coligação em seu material eleitoral. Na prática significa que um candidato não pode mostrar uma promessa sendo feita por um político em outra eleição e mostrar que ela simplesmente não foi cumprida. É uma pena. É uma auto proteção para que se possa prometer e nunca cumprir. Quem perde são os candidatos honestos (sim, há muitos deles) e logicamente o eleitor.

Outra proibição absurda é a da pré campanha. Qual é o problema em uma pessoa divulgar que será candidato e, muito tempo antes trabalhar para mostrar que poderá fazer a diferença na política? Novamente o que temos hoje é a auto-proteção dos já eleitos, pois estes podem divulgar seus feitos e trabalhos nos seus mandatos. Ou seja, revestindo-se de proteção ao eleitor, grande parte da classe política tenta sempre proteger seu feudo, criando limitações e impedimentos para que novas propostas e ideias floresçam.

Este oportunismo, na ingenuidade e até na preguiça do eleitor aparece novamente na proposta do alinhamento das eleições a cada 5 anos. A grande maioria da população não quer realmente votar e só vota por ser obrigada. A obrigatoriedade do voto já teve seu importante papel na politização do país, que não votou por anos. Hoje já começa a saber. Já se discute política entre os amigos, nos barzinhos, em família, nas redes sociais. Estamos progredindo e já poderíamos deixar que quem realmente quer participar do processo eleitoral vote. Deve ser um direito, não uma obrigação. Mas ainda, manter a frequência da discussão cada 2 anos é bem saudável e manterá a população prestando atenção na atuação dos políticos. O contrário é apenas um artifício para afastar a população do processo político.

Por último gostaria de falar sobre a mais populista das propostas atuais. O financiamento privado de campanha. É muita ingenuidade acreditar que a proibição de empresas que financiarem campanhas vai realmente impedi-las. Uma proibição destas apenas fará com que o Caixa 2 seja definitivamente institucionalizado, e isso só dificultará o controle dos interesses escusos por traz das doações. A única forma de se lutar contra esse jogo são leis duras contra o Caixa 2, clareza nos doadores de campanha pela via oficial, vigilância sobre os eleitos e seus patrocinadores e punição para quem infringir a lei, como se faz em qualquer democracia desenvolvida no mundo.

Eu sei, dá trabalho. Mas o preço da liberdade é a eterna vigilância.

marcelo@marketingpolitico.com.br

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2 Comentários leave one →
  1. Carlos Karnas permalink
    15/07/2015 23:05

    Ano passado, no calor da campanha eleitoral à presidência, troquei comentários com colegas e companheiros envolvidos no marketing político: uma discussão que tem vertentes para todos os lados. Na verdade, coordenadores de partidos (ou candidatos) nas campanhas políticas, municiam-se de informações delituosas para a sustentação de seus próprios candidatos. Os marqueteiros oferecem parafernália de instrumentos (que vão desde sucessivas e incansáveis pesquisas até produções altamente tecnológicas e logística de mídia) para a produção e operacionalização de programas com a imagem bonitinha construída de candidatos para os quais trabalham. Mas, os marqueteiros sucumbem aos partidos e seus coordenadores políticos. Há imposições pouco ou nada éticas que são aceitas cordatamente. Acabam reforçando a falsidade e a mentira das campanhas eleitorais, pois a base dessas campanhas é blindar, longe de propostas verdadeiras e honestas, as deficiências e incompetências de candidatos de todos os níveis. Portanto, historicamente, o marketing político, conivente com coordenadores de partidos políticos, arma cenário venal para empurrar pantomina goela abaixo dos eleitores, sem que a relevância de temas público-políticos sejam realmente valorizados e esgotados.

    Campanha eleitoral é o meio que reforça preciosismos e vaidades pessoais e/ou de grupos. As distorções nas pretensões políticas reforçam ganhos e conquistas de poder muito particulares, distantes do patriotismo e do bem ou justiça social. Os mecanismos que recheiam campanhas eleitorais carregam ações perdulárias, alimentadas por custos inflacionários que interessam aos candidatos, partidos, marqueteiros e produtoras. No conjunto, há saque desproporcional de riquezas nacionais nas campanhas eleitorais, que não demonstram sustentar a honestidade de cargos públicos. E os financiamentos quaisquer, provam a desonestidade do sistema e a conivência com ilicitudes, com a corrupção. O poder dos cargos no executivo e legislativo são alvos maiores para as locupletações. Na ponta do lápis e no cargo pretendido, o candidato eleito não tem retorno dos custos esbanjados em qualquer campanha eleitoral. A montanha de recursos de campanha é diluída na operacionalidade política e do marketing contratado e montado para tal. Portanto, campanha eleitoral é meramente negócio fiduciário de pessoas e grupos e está longe de ser patrimônio independente maior, que direcione com perspectiva ética e corretamente a nação e sua população.

    O Brasil é país que não prima por estadistas, aquele homem público que faz ação polítco-social-patriótica como compromisso existencial, solidário, voltado para os interesses de Estado e da população. O nosso sistema político e nosso sistema de governo ajudaram a aniquilar e a arrasar o estadista. E o verdadeiro estadista não é construído pelo escambo marqueteiro, mas, sim, pela sua postura, seu compromisso político-social e pela sua própria verdade. Seu discurso individual e altaneiro lhe basta, por ter peito aberto e honesto para ser aceito pelo público eleitor. Entretanto, os sistemas político e de governo, ambos falaciosos, sepultaram o estadista, com a participação expressiva do marketing político.

    Aos agentes e operadores de campanhas políticas, até é necessário fazerem discurso para o barateamento dessas campanhas. Mas, presentemente, tal discurso está recheado de falsidade e a maior prova está no Congresso aprovar, este ano, aumento escandaloso e brutal de recursos destinados ao Fundo Partidário. Desde já, partidos e marketing político idealizam seus próprios sustentos e ganhos, independentemente das necessidades melhores para o país, para planos de governo compromissados com a nação e seu desenvolvimento, visando amplas e sustentáveis políticas públicas, voltadas para o bem e justiça social. Há distorções grotescas e grandiosas em todos os sentidos e o marketing político, embalado por coordenadores de campanhas, engrandecem tais distorções. Alimentam-se shows, mídias, parafernálias eletrônicas, entretenimentos falaciosos e mentiras, em nome de candidatos, partidos e coligações. O resultado está a olhos vistos. Mas o sistema continuará a agir para sustentar o venal até as últimas consequências, com a feliz e produtiva participação operacional do marketing político. Ganhando ou perdendo, esse não tem compromisso com ninguém, a não ser com o negócio do momento. Minha opinião, e parte de reflexões que desenvolvo sobre o tema.

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