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Profissão, Marqueteiro.

08/02/2017

Tem gente que gosta do termo, tem gente que não, mas o fato é que todos nós, Marqueteiros ou pessoas que trabalham com Comunicação Política e Eleitoral, precisamos encontrar uma formulação inteligente e transparente de exercermos o nosso ofício sem que, a cada crise política, sejamos a “Geni” nacional.
Neste momento em que reformas importantes estão sendo debatidas, precisamos fazer nossa voz ser ouvida e, para isso, acima de tudo é preciso debater entre nós fórmulas que possam cumprir esse papel.
Logo após as eleições de 2016, tivemos a oportunidade de discutir, num encontro realizado na UFRJ, um pouco desse tema, lançando uma lista de tópicos que seriam importantes debater. A ideia surgiu do Marcelo Weiss que, como representante da Alacop e da Politicom deu esse ponta-pé inicial. Em breve vamos trazer esse resumo aqui, inclusive trocando experiencias com outros países.
Outra frente de peso, surgiu do super experiente consultor Paulo de Tarso Santos, que dispensa apresentações. Inclusive, ele propõe para o debate uma pauta interessante:  a Declaração Antecipada de Custos de Campanha. Abaixo, segue o seu texto completo, com o qual concordo em muitos aspectos e ainda estou procurando me inteirar e pensar melhor sobre outros. Mas, o importante é que o Paulo de Tarso nos trouxe um ponto de partida fundamental para avançarmos. Vamos ler, compartilhar, estudar e comentar. Afinal, nos unir!  😉

PROPOSTA PÚBLICA AOS NOSSOS COMPANHEIROS DE PROFISSÃO: MARQUETEIROS E AFINS.
Por Paulo de Tarso Santos
A chaga da democracia ocidental (não se sabe nem onde nem quando foi diferente) sempre foi a hipocrisia, a mentira, em torno do financiamento da política. Essa escuridão, ao contrário do que muitos percebem, nunca se deu por geração espontânea. Trata-se necessidade indispensável do modelo de dominação dos políticos sobre os homens comuns que caminhou com a humanidade até os dias de hoje.
A falta de transparência sobre os custos naturais da política sempre interessou aos poderosos de todos os campos, dentro de instituições públicas ou privadas. A razão não é difícil de compreender: quem domina as técnica de arrecadação, de manutenção do poder  e tem alianças para se manter no poder não tem interesse em democratizar a informação, troca-la com a sociedade, torna-la democrática. O conceito é de Maquiavel,  nosso maior  mestre: a primeira tarefa de quem chega ao poder é se manter eternamente no poder. Em palavras comuns:  não se oferece ao adversário vantagens competitivas que o tornem forte, nem no futebol, nem nos projetos de carreira profissionais, em nenhum campo da vida humana, muito menos na política, esse é o óbvio. Esta cremos, ser uma explicação convincente para as distorções vindas da hipocrisia dos que praticam o patrimonialismo, o fisiologismo, o enriquecimento ilícito através da prática política. E naturalmente, esses mesmos elementos buscam todo o tempo outros culpados para distrair a sociedade. No Brasil contemporâneo, esses culpados temos sido nós, os batizados marqueteiros, que em outros países são como outros profissionais, há os sério e os não sérios.
Pensando como categoria  (abertos a críticas  com a consciência do que somos), propomos neste documento uma proposta do que posa a vir a ser uma solução para que o fenômeno da nossa demonização coletiva, sem sentido, possa finalmente ter um fim. Para que a hipocrisia pelo menos diminua, se torne mais evidente. Nossa democracia vem avançando muito em sua consciência crítica e nesse momento já é possível propor essa ideia para avaliação da sociedade e do Congresso Nacional.
A proposta: DECLARAÇÃO ANTECIPADA DOS CUSTOS DE CAMPANHA. O que isso significa? Cada projeto de poder faz seu planejamento de gastos e declara ANTES DA ELEIÇÃO ao TSE.  E depois ainda, presta de contas pós campanha.
É público que todos os projetos políticos têm planejadores de campanha internos, operadores com todas as condições de estimar os gastos. Isso já é feito informalmente por eles. Os gastos básicos: comunicação, logística, alianças. São esses, os tópicos mais gerais que necessitam ser detalhados por itens como pesquisas, produção de conteúdo, relações com a mídia, investimentos em comitês, automóveis, aviões e assim por diante, indispensáveis para a realização de pleitos sérios neste país continental. Produzir planejamentos eleitorais é tarefa cada dia mais simples. Há grande tradição de modelos técnicos já executados, basta referenciar-se neles, pois se há números duvidosos, não há tarefas não descritas. Realizado o planejamento interno, apresenta-se-ia publicamente à sociedade via internet e ao TSE . Com isso, a opinião pública ganharia condições de tornar-se a verdadeira avalista dos pleitos, pois poder-se-ia comparar gastos, conhecer os investimentos. A mídia e o eleitorado poderia analisar cada planejamento e criticá-lo técnica e politicamente centavo a centavo. Se um partido planejar gastar 100 milhões com um marqueteiro, por exemplo,  e outro partido planejar 6 milhões, esse partido terá que responder sobre o porque de sua decisão, em ambiente de mercado, sem proibicionismo, com meritocracia, apoio ao talento e à melhor técnica. Perante a opinião, o planejamento divulgado seria mais um dado na cesta de decisão de voto do eleitorado, assim como ocorre nos dias de hoje com a divulgação de números de pesquisa. E o que foi pago deveria obrigatoriamente constar da declaração de renda dos profissionais envolvidos, marqueteiros, produtores, profissionais de todas as áreas e fornecedores.
Sintetizando a tese: DIVULGAÇÃO ANTECIPADA DO PLANEJAMENTO DE CAMPANHA, para avaliação da sociedade e a busca da transparência. Os números poderiam ser aditadas em 10%, 20% ou até livremente, para os casos de erro de planos, ou de candidaturas que surpreendam, recebam apoio popular durante o pleito e aumentem sua capacidade de investir oferecendo assim apoio à criação de novas lideranças políticas. Mas os aditamentos teriam que ser divulgados, com veiculação de alcance máximo nos diversos meios digitais, com cobertura definida por lei repara que se iniba a informação fantasma, sub divulgada. Sendo a divulgação na rede, tudo se daria sem custos extras para os candidatos. Todos os que viessem a ser contratados em cada item do planejamento pagariam impostos, obviamente.. E os casos de caixa dois, como parece já vai ocorrendo via requalificação legal e fiscalização da sociedade, receberiam punição severa,  cassação e criminalização dos envolvidos imediatamente. Antes até do final pleito, como já é possível atualmente mas raramente acontece. Como categoria profissional, sempre estivemos disposto  a ser claros. A grande maioria de nós nunca desejou nem teve interesse em trabalhar sem segurança legal. Nossa verdadeira realidade nessa situação, é o calote, pois partidos políticos não podem ser protestados, cobrados na justiça. Não há profissional que não tenha contratos não honrados nestes anos de comunicação política pós a promulgação da Constituição de 1988. O que não aceitamos é sermos vilanizados, ter nossas vidas e de nossas famílias preconceituadas por conta dos erros alheios, do erros de alguns. Nosso direito é o de sermos punidos se infringirmos a lei, como qualquer cidadão. O que não é mais admissível, que chega até a ser ridículo, é que nossa categoria profissional seja julgada de forma coletiva, servindo de pretexto e massa de manobra pelos os piores interesses, para esconder a hipocrisia do financiamento da política que descrevemos no início deste texto.
Este ano teremos nova mini reforma eleitoral e poderemos ter duas atitudes:  omitirmo-nos, novamente abatidos pela pressão social e midiática indevida ou esperar que surja um outro presidente do Parlamento aos moldes de Eduardo Cunha (o que parece não ocorrerá) ou então outro projeto de mini reforma eleitoral que nos leve à situação que vivemos no pleito de 2016, cujas regras determinadas pelas mudanças produzidas em 2015 praticamente inviabilizaram a realização do processo eleitoral, a participação e o caráter de festa democrática que o momento do voto tem em muitos países do mundo, elegendo  18 candidatos que se auto financiaram, numa volta lateral à plutocracia, pagando seus projetos de próprio bolso, o que explica muito dos resultados ocorridos num pleito onde a igualdade de competição e o direito à remuneração digna dos profissionais de comunicação política foram atacados frontalmente.
Convidamos os colegas a estudar propostas de transparência para o nosso trabalho para que não sejamos atropelados pelo trem da campanha presidencial de 2018. Há questões fundamentais a serem discutidas (por exemplo, de onde virão os fundos: públicos, privados ou mistos), mas essa não é tarefa nossa como corporação profissional, pois somos parte interessada no assunto. O debate e a consolidação das regras eleitorais do país é responsabilidade dos políticos. Ao contrário do que muitos pensam, nós profissionais de comunicação política, não somos protagonistas do processo político, somos importantes  coadjuvantes. Nosso foco, na opinião dos que assinam esta proposta, deve ser a requalificação da nossa remuneração, para acabar com as lendas a nosso respeito e tentar esclarecer o papel que realmente cumprimos para viver em paz, sem assassinatos de reputação. A antecipação dos custos é nossa proposta. Nosso marco legal já possui mecanismos nesse sentido, trata-se apenas de promove-los, fortalecê-lo, neste país onde há leis feitas para “pegar” e para não “pegar” . Nossa proposta é que se discuta como fazer estes instrumentos “pegarem”, tornarem-se efetivos, verdadeiros. É importante deixar claro que não estamos propondo nada que tenha como objetivo procrastinar a Reforma Política essencial para o nosso país e que virá ao seu tempo,  comandada como já  afirmamos neste documento, pelos políticos e fiscalizada pela sociedade. O que propomos neste momento é a tarefa indispensável de avançar já com vistas ao pleito de 2018, corrigindo as distorções produzidas pelas modificações introduzidas no sistema eleitoral em 2015.
Aqui convidamos toda a nossa categoria, sem discriminação de nomes nem de currículos, a debater para buscar uma forma quase impossível de influir, via união e defesa dos nossos interesses. Esse é nosso único e exclusivo objetivo e contamos para isso com o apoio dos meios de comunicação e dos brasileiros sérios que acreditam no aprimoramento da nossa democracia.

PS- Nos países onde se pratica a declaração antecipada dos custos de campanha,  a maioria dos partidos não gasta o que se planeja e declara. Gastam menos para obter credibilidade junto à opinião pública.

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